Hoje eu quero compartilhar com vocês uma das primeiras grandes lições que eu tive na vida quando o assunto é comunicação, geração de conteúdo e marketing digital. Ainda nos tempos do finado Orkut, eu pouco ou quase nada conhecia sobre esse universo e o meu grande interesse (à época) era o mercado financeiro.

A primeira coisa que fiz para me aprofundar um pouco mais sobre o conteúdo foi digitar (lá no Youtube) bolsa de valores e ver o que aparecia.

De repente, surgiram vídeos e mais vídeos sobre análise técnica – e eu nem sabia o que era isso. De lá, eu fui para outro canal e outro e outro e outro…

De repente, eu cai em uma comunidade (lembra? O Orkut era assim, meu filho!) chamada: “Investidores Agressivos” e lá eu percebi que havia um post com mais de uma centena de comentários.

Pensei: “Opa, é isso mesmo que eu tenho que ler. Aqui parece ser bem movimentado!”.

O início do bait…

O início do Bait

Para quem não sabe o que é bait (e é por isso que eu não coloquei essa expressão no título do meu artigo, ou acabaria perdendo muito clique de gente que não soubesse o significado da expressão), se trata de uma expressão em inglês para isca. Fisgar. Capturar.

Click bait são os títulos que pedem (gritam!) pelo seu click.

No saco da nossa história, o título era: “De volta aos 22 mil pontos”. Vinte e dois mil pontos seria uma situação calamitosa para a economia na época, já que o índice da nossa bolsa de valores estava, sei lá, em quarenta e cinco ou cinquenta – e já havia caído bastante!

Àquela época eu não fazia a menor ideia, mas estava diante de um baita título!

Todos os elementos estavam ali: a tragédia anunciada, o alerta do perigo, o uso da suspensão (e quando será isso?) e a especificidade, que traz a ideia de que não é apenas um chute aleatório.

Quem estaria chutando um valor tão preciso? Vinte e dois mil pontos?

Pois é. Talvez fosse por isso que o tópico estava bombando.

O efeito causado por um título campeão.

O início da captura

A média de posts (comentários, lembre-se que no Orkut eram comentários!) para cada tópico era de 20 ou 30. Nesse dos vinte e dois mil pontos, há tinham mais de cem. Sei lá, tinham uns trezentos.

Resumindo: era coisa pra cacete!

E por que? Porque o título era uma bomba atômica. Quem entrava, já chegava fazendo parte de um time: os que achavam que poderia até ser verdade e os que viam ali um chute furado.

Como havia dois grupos bem definidos, eles brigavam entre si, postando dados, posicionamentos, históricos e, as vezes, só se xingando mesmo. O fato é que quanto mais briga havia, mais comentários surgiam.

E, com tantos comentários assim, mais gente entrava para ver o que é que estava acontecendo.

A teoria do sujeito, do autor do post, era cheia de elementos. Utilizava análise técnica com uma suposta fórmula que ele havia desenvolvido. Havia, também, uma pitada de teoria da conspiração (o que tornava tudo mais interessante!) e sobre como os governos estavam escondendo essa grande explosão nuclear da população.

Isso acontece todos os anos no mercado financeiro. Basta lembrar do Peter Schiff anunciando que os Estados Unidos viveriam, antes de 2015, hiperinflação, recessão e o apodrecimento dos seus títulos públicos.

Nada aconteceu.

O analista defendeu essa posição por 4-5 anos (todos os dias, em todos os seus canais de comunicação) até que, esse ano, ele abandonou a posição oficialmente.

Mas, voltando ao nosso post maravilhoso!

O efeito de um título campeão

Na virada da semana, aquele tópico já tinha mais de mil comentários.

Depois de um mês, havia triplicado.

Havia um outro elemento que tornou tudo ainda mais interessante: a cada vez que a bolsa caía dois ou três por cento, as pessoas iam e reviviam o tópico. “Tá chegando a hora!”.

Quando a bolsa subia cinco ou seis por cento, também: “E ai? Cadê a queda!?”.

O fato é: aquele tópico já havia se tornado maior do que o seu criador. Ele havia ganhado vida própria.

Quer saber como “dar vida” a qualquer conteúdo dentro da internet? É só seguir a primeira (e mais importante) lei do Marketing. Para saber que lei é essa, dê uma lida nesse nosso artigo!

E por que isso aconteceu? Porque ali, naquele momento, surgiu uma comunidade dentro de uma comunidade.

Ou seja, se porque qualquer motivo aquele tópico fosse para outra página, definitivamente ele poderia sobreviver fora da comunidade.

E é isso que nós devemos procurar realizar a cada post que nós fazemos.

O que importa é a geração de uma comunidade.

A importância de uma comunidade

Essa é a dica mais valiosa que eu te dou hoje: você deve produzir um conteúdo (seja no seu blog, no seu canal do Youtube ou nas suas redes sociais) que pretenda tornar maior do que você mesmo.

Quando eu criei o termo empreendedor de palco (você pode ler esse artigo clicando aqui) ele se tornou, imediatamente, maior do que eu. Hoje, eu vejo ele na boca do ecossistema inteiro, sendo citado em livros, inclusive, sem que as pessoas queiram saber quem foi o seu criador.

Hoje, se eu falasse: “Pessoal, abandonem esse termo! Eu percebi que ele está errado!”, não funcionaria de nada.

E por que isso é bom? Porque são (justamente) esses movimentos, que te alçam ao status de influenciador.

Um influenciador sempre será alguém que, uma hora ou outra, terá problemas por causa das suas ideias, porque justamente elas acabam se tornando maiores do que ele.

Se você produz conteúdo apenas para as pessoas lerem e concordarem ou discordarem, você está fadado à morte digital. Acabou. Você terá que produzir algo surpreendentemente novo a cada segunda, quarta e sexta.

Agora, se você produz o seu conteúdo (e arranja ele: título, desenvolvimento, referências, deslocamento) para que as pessoas possam continuar discutindo (e comprando briga!) sobre ele durante meses (as vezes anos!), você terá conquistado uma máquina de tráfego orgânico que não precisa mais de gasolina.

As pessoas lembrarão do que você criou e, mesmo que tenham se passado meses, as vezes anos, voltarão para ver como está o andamento daquilo tudo.

E o que aconteceu com o tópico, ao final da história?

Qual é o grande segredo?

Aquele tópico se tornou uma lenda. Passou das 8 mil páginas de conteúdo, sendo impossível acompanhar tudo que havia sido produzido ao longo de anos.

Inclusive, ele se tornou meio um tópico fixo, porque acabou se tornando bate-papo para tudo o que acontecia no mercado. As pessoas já entravam e davam bom dia lá.

Até o final do Orkut, ele se tornou o ecossistema mais rico, ativo e próspero que eu jamais conheci. Amizades nasceram e morreram dentro daquele tópico; você voltava para a página 400 ou 500 e via que boa parte daqueles perfis já nem existiam mais e percebia como a coisa ganhou vida própria.

Foi a partir daqueles dias que eu percebi o poder (o poder real, não esses que os gurus dizem possuir) de um conteúdo bem definido. De um bom título e de um timming perfeito.

Ele está muito além de produzir tráfego orgânico, audiência, leads ou compradores…

Quando você acerta a mão e produz um ecossistema dentro de determinado conteúdo que você acabou de criar, ele é capaz de tomar vida própria.