Não tinha certeza do que deveria esperar e, para ser muito franco, um tanto assustado com o que minha esposa, April, estava prestes a me mostrar.

Durante o jantar, tivemos uma das nossas conversas frequentes sobre como era a vida no colegial – muito antes de casar e ter filhos.

Frequentávamos a mesma escola e tínhamos o mesmo círculo de amizades, portanto, sempre é divertido voltar ao passado e conversar sobre como as coisas eram estranhas e o tipo de coisas que costumávamos gostar.

Conversamos sobre o que costumávamos comer: In-N-Out Burger, batatas-fritas cajun com carne e queijo na escola e, é claro, comida filipina em casa. Conversamos sobre os programas de televisão que costumávamos assistir: “Salvos pelo Gongo”, Animaniacs e Total Request Live na MTV.

E, naturalmente, sempre discutíamos as músicas que amávamos.

Os anos noventa foram uma década interessante na música. O Nirvana se destavaca, apareceu o Green Day e a Britney Spears sempre estava na rádio cantando mais uma vez. Amo todos os tipos de música, do Snoop Dog ao Blink-182, e até tinha uma fita cassete mista que incluía Gwen Stefani, Sir-Mix-a-Lot, Incubus e Linkin Park.

Para April, no entanto, só uma banda importava na sua vida: os Backstreet Boys.

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Ou como ela se refere a eles…“seus meninos”.

Sempre soube que ela amava esse grupo. Tinha todos os álbuns em CD, ia aos shows e até tinha fotos deles no fichário da escola.

No entanto, não tinha ideia da verdadeira extensão de seu entusiasmo como fã até que numa noite quando, após o jantar, disse as palavras que você não quer ouvir após conversar sobre os Backstreet Boys com sua cara-metade:

Tem uma coisa que preciso te mostrar”.

Imediatamente comecei a imaginar uma tatuagem, daquelas que, quando determinados músculos flexionam, todos os rapazes fazem uma dança ou coisas do tipo.

Felizmente, não era isso. Era, todavia, algo quase tão surpreendente quanto isso.

April foi até o armário e tirou uma grande caixa de plástico fosca e colocou-a no chão. Parecia pesada. Sentada de pernas cruzadas atrás da caixa, ela me perguntou: “Tem certeza de que quer ver isso?

Relutante, disse sim. Como poderia dizer não nesse momento?

Devagar, ela retirou a tampa, e imediatamente bati os olhos num dos membros da banda olhando fixamente para mim. Era o integrante popular da banda, alto, de olhos azuis, louro, Nick Carter, na capa do calendário de 2001. Tinha uma expressão atraente, como se dissesse: “Ei, April, bom te ver aqui de novo! Ainda estou aqui. Quem é esse cara?”, apontando para mim.

Sou baixo, tenho olhos castanhos e cabelos negros, o exato oposto de Nick Carter.

Por baixo do calendário havia uma pilha de programas dos shows. E então, vi algo que nem sabia que existia: bonequinhos tipo action-figures dos Backstreet Boys, na embalagem. Cinco deles. Um para cada membro da banda.

Mas, esperem, ainda tem mais…

Revistas, envelopes com “Deus sabe o que há neles” e, então a prova concludente: um retrato emoldurado do Nick Carter.

Já tinha visto o bastante. Soube dali em diante que a April não era apenas uma fã dos Backstreet Boys. Ela era (e ainda é) uma superfã.

No entanto, mal percebi que o hiperfanatismo pelos Backstreet Boys e as histórias que mais tarde soube de como tudo isso aconteceu seriam vitais para me ajudar a aprender como construir um negócio multimilionário de sucesso com meus próprios superfãs ao redor de todo o mundo.

Na verdade, permitam-me reformular a frase:

A trajetória de superfã da April ensinou-me a construir um negócio multimilionário, à prova de obsolescência, criando meus próprios superfãs ao redor do mundo.

Não tenho músicas de sucesso ou discos de platina. Não tenho bonecos de ação meus e, definitivamente, não tenho meu próprio calendário.

Tenho, no entanto, um negócio próspero que é resultado dos superfãs que o apoiam.

Quando posto a respeito do local que estarei, posso garantir a você que apertarei a mão de algum dos meus superfãs quando chegar lá.

Quando compartilho que tenho um produto novo sendo lançado, tenho uma lista de espera, às vezes, de milhares de superfãs que querem ser os primeiros a pôr as mãos nele.

E quando pessoas que postam comentários ofensivos e valentões entram na comunidade para criar problemas, são os superfãs que indicam-lhes a saída.

Fãs são importantes, mas superfãs são tudo

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Todo mundo é fã de alguma coisa, mas se você é um superfã, você se comporta um pouco diferente. Para quem vê de fora, nossas ações podem parecer ridículas.

Você dirige uns trezentos e tantos quilômetros só para ver seu cantor favorito.

Você compra qualquer coisa relacionada com sua série de filmes predileta.

Você passa horas incontáveis durante a semana ativamente envolvido em discussões em grupos do Facebook ou do Reddit, defendendo apaixonadamente suas teorias de fã contra as teorias de outros.

Você coleciona, de modo incansável, a memorabilia de sua banda favorita e a guarda numa caixa em seu armário por uma década para, um dia, torturar seu futuro cônjuge.

Como superfã, você também se torna um embaixador extremado do objeto de sua admiração

Tremula alto o estandarte, e tremula com orgulho. Fala aos amigos e à família a respeito dele, mesmo que eles não queiram ouvir nada sobre isso.

Você tira fotos e imediatamente compartilha nas redes sociais.

Você pode até começar um canal de YouTube ou um podcast sobre isso e, com o passar do tempo, você influenciará muito mais pessoas a começar a amar essa coisa.

Os superfãs investem tempo, dinheiro e, o mais importante, emoção naquilo que amam. Quando o time ganha, os superfãs sentem que ganharam também. Quando o time perde, é uma tragédia. De um modo ou de outro, é muito provável que um superfã derrame umas lágrimas.

Um superfã é parte interessada – do tipo mais importante.

É comum achar que os superfãs só existem para pessoas ou entidades como músicos, séries de filmes e times esportivos. É o que vemos por aí. No entanto, o que não vemos são os superfãs dos muito microcosmos que existem ao nosso redor.

Por exemplo, existe o LEGO.

Muitas pessoas amam LEGO, mas a empresa tem um grande subconjunto de superfãs composto por pessoas de várias classes sociais.

Esse brinquedo atemporal e clássico que permite às pessoas dar vida a quase qualquer ideia também inspirou uma comunidade de fãs devotados que inclui os fãs adultos de LEGO (AFOL), que frequentam encontros e congressos.

Na verdade, foram os superfãs do LEGO que ajudaram a tirá-lo da falência. Literalmente salvaram a empresa.

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Ou, tomemos a própria marca californiana do In-N-Out Burger, que ganhou a superadmiração de muitos por conta de sua comida deliciosa e consistente (e o “menu secreto” que faz com que esses fãs se sintam íntimos).

A empresa também atrai admiração intensa por pagar os empregados acima dos padrões do mercado, bem como por ainda pertencer à família dos fundadores e não ter desmerecido a marca com franquias ou com a abertura do capital.

Há também a Harley Davidson. A marca de motocicletas tem um famoso grupo de fãs delirantes que fazem ressoar a mensagem de autenticidade, liberdade e autoexpressão.

A empresa patrocina eventos por todo o país via os grupos de donos de Harley [Harley Owners Group (HOG)] que arrasta milhares de pessoas e traz uma espécie de energia especial à base de fãs.

Esses fãs exibem a lealdade à marca por meio do vestuário – camisetas, bonés e jaquetas – e até nas tatuagens.

Se você está tentando construir uma marca e seguidores, seja você um empresário, artista, músico, youtuber, blogger, podcaster ou qualquer outro tipo criativo, os superfãs são a eletricidade que acenderá a faísca de seu crescimento e o sangue vital que manterá seu negócio energizado.

Seus superfãs têm poderes especiais e capacidades que podem dar suporte à sua missão, e é isso que os faz super.

Quando você constrói uma tribo de superfãs, está construindo uma marca à prova de obsolescência que lhe permitirá tornar-se bem-sucedido, não importando como esteja o ambiente de negócios ou tecnológico.

Gerir um negócio significa envolver-se em muitas coisas, da estratégia ao marketing, das finanças à contratação e muito mais. Entretanto, focar nas experiências que criam superfãs é mais importante do que qualquer outra atividade em seu negócio.

É mais importante do que ter mais tráfego, mais seguidores, mais visualizações ou mais inscritos. É até mais importante do que construir uma lista de e-mails ou adquirir mais clientes.

Por quê?

Porque quando você se concentra em criar superfãs, como subproduto, você consegue mais tráfego, mais seguidores, mais visualizações e mais inscritos.

Você construirá uma tribo mais forte, mais selecionada que farão de tudo para apoiá-lo e apoiar o que você faz. Serão mais engajados, mais entusiastas e mais propensos a agir. E, também, mais propensos a comprar as suas coisas também!

Os superfãs são, verdadeiramente, a vida do seu negócio

Infelizmente, a maioria dos negócios não concentram esforços em construir superfãs. Sim, você pode criar um negócio de sucesso sem eles, mas gastará mais tempo e dinheiro tentando conseguir que as pessoas achem você – e mesmo se o fizerem, não há garantia de que retornarão.

Além disso, se você se mostrar suscetível às mudanças de algoritmo, os competidores experientes e até mesmo hackers, qualquer um poderá destruir seu negócio da noite para o dia. Vi isso acontecer muitas vezes e nunca é bom de se ver.

Construa um conjunto de superfãs, e não importa o que aconteça, eles sempre estarão prontos a atender.

Em vez de gastar dinheiro em anúncios, gaste mais tempo com as pessoas.

Em vez de preocupar-se com as últimas brechas e estratégias de crescimento, preocupe-se com a identificação e como abordar as coisas mais trabalhosas e problemáticas de seu público-alvo.

Em vez de tentar descobrir como otimizar as taxas de conversão, descubra o grau em que você é capaz de conectar-se de maneira autêntica com seu público e fazer com que ele se sinta especial.

Não me entendam mal.

É importante focar em coisas como construir tráfego e melhorar taxas de conversão, mas a não ser que a experiência que você ofereça ao seu público seja repleta da magia que o ajudará a criar superfãs, tudo o que você está a fazer é esforçar-se e gastar tempo e dinheiro para mostrar às pessoas que, na verdade, não há nada que as faça sentirem-se especiais – nada que as faça retornar.

E ninguém é um superfã de alguma coisa que não o faça se sentir especial.

Os superfãs existem no topo do que gosto de chamar Pirâmide do Fã-Clube.

São a menor porção de seu público, mas são os maiores catalisadores para sua marca e o batimento cardíaco de seu negócio.

A admiração da April pelos Backstreet Boys pode ter sido atiçada na noite em que estava deitada no quarto tentando consertar o seu coração partido, mas isso não começou naquela noite.

Ela não se tornou uma superfã por conta de uma música naquele momento. Tornou-se uma superfã por causa de muitos, muitos momentos em que ouviu a banda, os viu na televisão, falou sobre eles com os amigos e, sim, ao admirar o olhar sensual de Nick Carter e sua cascata de cachos louros na página de março do calendário de 2001.

E, do mesmo modo, os seus superfãs irão juntar-se a você não por conta de um único momento mágico, formidável, mas por conta de muitos momentinhos mágicos.

Se você é um youtuber tímido, que está começando ou o cabeça de uma empresa das 500 maiores da Fortune, seus superfãs estão por aí, esperando que você se conecte com eles.

Você só precisa criar essa jornada, pavimentar a estrada de tijolos amarelos que irá guiá-los, com segurança e estabilidade, ao posto de superfãs.